Queria mostrar pra vocês hoje a Tromba Marina, traduzido normalmente como Trompete de Maria, às vezes chamado erradamente de Trompete Marinho.
É um cordofone de uma ou duas cordas em formato triangular, como um berimbau tocado com arco de violoncello, com cavalete solto. É um instrumento medieval que sobreviveu do sec.XII até o barroco, usado para substituir o trompete (que era caro e chato de fabricar) imitando-lhe o timbre e o volume estridente.
Som e foto:
Brasileiro demonstrando e explicando o instrumento:
Se você é músico ou pelo menos realista você sabe que nenhum instrumento ou atividade musical é anatomicamente adequado.
Sim. Todo instrumento é anti-anatômico. Se você vai tocar sem a técnica, vc se fode e pode ficar aleijado. Mas mesmo que tecnicamente correto, seu corpo ganha lesões muito específicas, tendinite, LER, etc. Como a gente sempre faz um pouco além do recomendado, acaba se fodendo. Ou mesmo trabalhando normalmente, ganhamos uma lista de doenças e riscos à saúde, que motivaram o PL 1714/209/06/2011 que provê 20% de aumento a todos os músicos a título de insalubridade [link - com lista de doenças de músicos].
Música dá tanto prazer que a gente consegue ignorar a dor do excesso (link). Não é porque tudo tem limite não (inclusive seu corpo), é porque os instrumentos não se adaptam ao seu corpo - é você que tem que fazer o possível pra adaptar seu corpo a eles. Daí nascem as deformidades dos instrumentistas - das quais acho algumas belas, como mão de pianista.
Eu toco theremin, e tenho um blog sobre isso: http://teremin.blogspot.com/ Nem mesmo um instrumento invisível e impalpável é anatomicamente adequado: minha mão direita está com os dedos tortos e os braços ficam terrivelmente cansados. É semelhante a lesões de maestro. Lembro de uma amiga regente que quando começou a reger ficou com os bíceps enormes - sem deixar de ser super feminina, é claro. Ah, é só balançar os braços no ar em ambos os casos? Vai crendo...
Mas fiquem tranquilos, não são apenas os instrumentos e atividades musicais que são anti-anatômicos. Fenômenos naturais inevitáveis como a morte e o parto são anti-anatômicos também - este último tanto pra mãe quanto pra criança.
Mas voltando ao masoquismo dos músicos, que é o assunto desse post, querem saber uma forma de comprovar se alguém é músico de verdade? Pergunte-o se, hipoteticamente, tivesse que escolher entre ser completamente cego e completamente surdo, o que seria pior. Músicos sempre responderão que é pior ser surdo, e prefeririam, hipoteticamente, a cegueira total. Os demais seres humanos não-músicos dirão que é melhor não ouvir e continuar enxergando. Eu prefiro morrer do que perder a audição, sinceramente.
DEPOIS dessa introdução piegas, vamos desenvolver o assunto desse post. Vou começar com uma idéia.
O corpo deve servir à música. Não é a música que serve ao corpo.
Existem instrumentos, peças e atividades musicais que são verdadeiros atentados à saúde humana em todos os sentidos. Não quero nem me deter aos casos de loucura e demência causados por sons (sim, eles existem). Vou focar na parte muscular e óssea mesmo, e na saúde em geral (mental e fisiológica), em como a música pode foder isso tudo e ainda deixar o gostinho de "quero mais" na gente.
1) CARRILHÃO (ou órgão de sinos)
O carrilhão consiste em um conjunto de sinos de igreja, enormes, ligados a um mecanismo de alavancas que permitem você tocar os sinos como um órgão. Só que tudo é muito pesado, então o "console" consiste em bastões de madeira (ou metal) em que você dá socos com o punho serrado, então através de cabos de aço essas alavancas balançam os sinos. É realmente de deixar a mão e o punho roxos ou em carne viva, em alguns momentos. Leiam a seguinte matéria, sobre uma carrilhonista brasileira (sim, uma moça delicada tocando esse instrumento de brutamontes) em que ela confirma o que eu acabo de dizer: http://www.folhasinfonica.com.br/materias.asp?id=99
Assistam a Olesya Rostovskaya, carrilhonista russa, tocando uma composição dela em um carrilhão pleno. Os pedais tocam os sinos mais graves:
Se quiser ver um concerto completo, mais virtuoso, com tudo que é possível fazer num carrilhão, acesse:
http://www.youtube.com/watch?v=i13yIWb96WA
Vale a pena assistir também o leve concerto para carrilhão e orquestra do Purcell:
http://www.youtube.com/watch?v=y4jG3pmGA2Q
Também tem um cartoon sobre a origem do carrilhão, muito divertido:
http://www.youtube.com/watch?v=4eTmwLD9MEs
2) PIANO: glissandi e clusters
Qualquer um sabe que o piano maltrata grandemente os músicos. Vamos começar falando do glissando: quando o pianista passa os dedos sobre o piano arrastando em todas as teclas muito rapidamente. Glissando com qualquer mão e em qualquer sentido sangra, deixa o dedo em carne viva e em alguns casos arranca a unha dos músicos. Já vi virtuosos e mestres em piano dizendo que não tem como evitar isso, é só pensar na música e evitar pensar no sofrimento, que sai... se as teclas encherem de sangue, costuma ficar uma flanelinha dentro do piano, você enxuga e limpa o sangue durante as pausas.
Você deve estar pensando "ah glissar de vez em quando não mata ninguém". Pois bem, muitas vezes os pianos de concerto são mais duros do que parece; e mesmo que todos os bons pianos fossem super moles, a ponta dos dedos não foi feita pra passar numa velocidade altíssima sobre as teclas, que são simplesmente mecanismos de alavanca. Ora bolas, teclas são alavancas, devem ser pressionadas de cima pra baixo, e não lateralmente, como num glissando.
Vou dar alguns exemplos. Durante o Concerto para a Mão Esquerda de Ravel o pianista deve glissar várias vezes da primeira à última tecla branca do piano em menos de 2 segundos utilizando a unha do polegar esquerdo. Eu já sangrei muito tentando tocar essa peça. Mas o pior é quando tem glissando em oitavas, ou seja, duas notas (ou mais) que devem ser arrastadas por uma mão apenas - no caso das oitavas, uma nota fica no dedinho mínimo e a outra fica no polegar, e, sim, os pianistas são forçados a arrastar o dedinho mínimo contra as teclas do piano sangre o que sangrar. Exemplo, o Cziffra tocando sua peça "Fantasia sobre William Tell", no compasso 49, que aparece na tela aos 4:44; e também no compasso 84, que vai na tela aos 5:52, tem um glissando de acordes na mão esquerda:
http://www.youtube.com/watch?v=0PyenH1JH38
Outro exemplo: em La Fantaisie Roumaine, uma passagem inteira de glissandos múltiplos na mão direita, do compasso 86 ao 88, a partir de 2:13:
http://www.youtube.com/watch?v=Yr4drXNaTkE
Kurtag fez uma peça infantil composta apenas de glissandi leves e lentos, que, se não for tocada num piano delicado e leve, é auto-mutilação na certa:
http://www.youtube.com/watch?v=pLbx5aSVEfM
Mas só os glissandos são a crueldade do piano? Não, não. Além de dar LER, tendinite e ser uma manicure sanguinária, o piano pode quebrar seu braço com clusters. A seguinte peça, segundo o livro Música de Invenção de Augusto de Campos, pede para se ouvir o impacto dos ossos do pianista, que deve tocar ffffff (para quem não é músico, quer dizer forticicicicicíssimo). Sim, o músico é instruído pela partitura a socar seu antebraço contra o piano até que a platéia ouça o barulho dos ossos rangendo. Eu toquei essa peça em 2010 na faculdade, meu braço ficou doendo 3 dias, fiquei com vários hematomas mas o roxo saiu rápido, e tive cortes no pulso e nos cotovelos. As mãos ficaram vermelhas por horas, pois clusters com a palma da mão doem pra caramba quando tem que sforzare (vejam a partir de 2:05):
Obs: novamente, isso é obra de uma mulher. A compositora se chama Galina Ustvolskaya, super feminina lá com sua saia cristã e seu braço malhado. Chamada popularmente de a "dama do martelo". Apelido super doce né? rsrs
3) TÓXICOS e interações com fumaça, fogo, armas, etc.
Esses elementos não são essencialmente musicais, tudo bem. Mas são comumente usados na música e em muitos casos são indispensáveis. Muita gente que participa de coral de ópera passa mal por inalar aquela fumacinha cenográfica tão comum no teatro.
O pianista japonês Yosuke Yamashita fez duas vezes um espetáculo em que ele improvisa jazz um piano enquanto o piano pega fogo. A primeira vez foi em 1973 numa floresta, para um filme do diretor Kiyoshi Awazu que está disponível nesse link o filme completo. A segunda vez, em 8 de março de 2008, numa praia japonesa, durou uns 10 minutos. Segue vídeo-notícia da performance:
http://www.youtube.com/watch?v=a7C8I_3HHaQ
Além das óbvias queimaduras leves que ele pode ter sofrido, tem toda a toxina da fumaça inalada, que é o que me preocuparia mais. Ele queria tocar até o piano parar de funcionar, mas tudo acabou se tornando numa batalha de vida ou morte, ser humano versus instrumento (fonte).
Não poderia deixar de mencionar diversas vezes em que é necessário para a música o uso de armas de fogo, produzindo aqueles barulhos ensurdecedores. O caso mais famoso é a Abertura 1812 do Tchaikovsky, que requer pelo menos 4 canhões (sim, canhões) atirando durante a música, foda-se o ouvido de quem estiver perto, canhões a partir de 7:50:
http://www.youtube.com/watch?v=0F5k70xwGSk
Isso ainda é menos ensurdecedor do que o som de uma festa rave ou uma boate ou um forró. Odeio som alto.
4) RITUAIS e encenações musicais
Se você não é músico, deixa eu resumir a história: na música "clássica" a partir do século XX, alguns rituais e encenações passaram a fazer parte da música, sendo impossível executar apenas sons. Nesses casos, os sons não fariam sentido musical por si mesmos, sem o ritual ou encenação.
Talvez o exemplo mais cruel disso seja a peça Goldstaub (Pó de ouro) de Stockhausen. Ela dura 4 dias e 4 noites, deve ser tocada por um conjunto de 3 ou 4 músicos. Nos 4 dias os músicos devem ficar em quartos separados, isolados, sem nenhuma comunicação, sem comida (apenas tomando água ou no máximo suco), com os ouvidos protegidos para não ouvir nenhum som, e evitando gerar qualquer som. Devem evitar se concentrar, ou seja, "não pensar em nada", devem evitar se mover, ficando a maior parte do tempo deitados como mortos; todavia, devem evitar também o sono, dormindo apenas o mínimo possível. É o tipo mais radical de meditação e limpeza mental que eu já vi.
Após 4 dias completos nesse ritual de preparação, bem tarde da noite do quarto dia, os músicos se encontram, SEM NENHUMA COMUNICAÇÃO, cada um pega seu instrumento, e sem combinar nada, começa a tocar sons simples e isolados, sem pensar no que estão tocando. Devem fazer isso de olhos fechados e percebendo auditivamente todo o som produzido por eles, mas sem se concentrar em QUE SOM seria esse, sem pensar em qual será o próximo som a tocar, etc. Ou seja, a tortura da meditação extrema não acabou.
Além de ficar uns 5 kilos mais magros, os músicos vão ter a sensação de ouvir pó de ouro caindo do céu, devido aos 4 dias de preparo, seja lá qual for o instrumento. A "limpeza espiritual" promovida por esse ritual faz com que os sons pareçam visíveis e palpáveis, e mesmo o músico conhecendo bem o som do seu instrumento, após os 4 dias de preparo vai parecer que é uma coisa mágica, de outro mundo, que ele nunca ouviu antes. Eu gostaria muito de tocar essa música, mas não achei outros 3 músicos pra participar comigo. Eu tenho experiência com longos jejuns e anorexia em geral, creio que o mais difícil mesmo seria ficar sem pensar, sem se mover e sem se comunicar. A propósito: numa música como essa, não existe público, pois apenas os músicos, que passaram por todo o processo de 4 dias, é que vão entender o sentido musical ali, pois a preparação é parte da música e gera a percepção sonora necessária para tocar/apreciar o "pó de ouro". Link para uma performance ao final do quarto dia: http://www.youtube.com/watch?v=l1jp3HibWAQ
Um outro ritual bem forte acontece no Concerto para Zheng e orquestra de cordas, do compositor chinês Tan Dun. Durante a peça a orquestra toda deve latir como se incorporasse espírito de cães e lobos, e no final, como num ritual xamãnico, todos menos o maestro ficam possuídos e começam a se debater, tocar sons desconexos e latir violentamente. Elementos da cultura chinesa, tibetana e indígenas americanas se misturam com a tradição de concerto européia. Assistam:
Em ópera a oposição dramática (o Mal ou o vilão) costuma ser representado como "satan", mesmo quando o cunho não é nada mitológico nem religioso, só pra se aproximar mesmo da cultura cristã e para aumentar a carga emocional da coisa (fonte). Aí em alguns momentos é muito normal o teatro da ópera envolver rituais "reais". Por exemplo, na ópera Un ballo in maschera de Verdi, no ato 1 cena 2, a Ulrika, uma bruxa negra contralto, sacrifica literalmente uma galinha no palco do teatro enquanto invoca o Rei do Inferno:
Obs.: Se você come frango, não tem moral de condenar alguém que, na umbanda, mata galinhas ritualmente.
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CONCLUSÃO
Amiguinhos, depois dessa reflexão, voltem à frase destacada lá em cima. O músico não é servido pela música, pelo contrário, ele serve à música com o seu corpo e sua vida se for preciso. O que os compositores pedirem, eu faço, se estiver musicalmente convencido. Volto a pocar meus dedos e braços no piano sempre que possível, pois a música como um todo compensa!
Segundo um estudo americano, que virou notícia na Superinteressante, as pessoas mais criativas em geral (incluindo você, músico) são "moralmente mais flexíveis", ou seja, mais desonestas, trapaceiras, etc.
O estudo verificou que a inteligência da pessoa não é tão relevante para "determinar" suas escolhas morais, mas já sua criatividade... quanto mais criativo, mais atitudes moralmente reprováveis, e mais facilidade de inventar desculpas, álibis, etc.
Ser um "livre-pensador" é tenso. Daqui a pouco vão taxar céticos e ateus de imorais, mas em nome da ciência, não mais somente em nome da igreja da esquina. Aí, meu amigo, prepare-se pra volta da caça às bruxas.
O que torna pessoas mais criativas mais flexíveis moralmente NÃO É A CRIATIVIDADE, É O PENSAMENTO. Por isso, seria muito simples conduzir uma pesquisa e provar que, em geral, quem pensa mais - ateus, etc. - também é moralmente flexível, ou seja, mais propício a se libertar dos padrões da sociedade e questioná-los, ou seja, são indesejados pela sociedade, ou seja, merecem ser banidos.
Não quero soar muito marxista, mas poxa, a educação não emancipa o povo, a educação estupidifica, tira a criatividade da criança. Antes da escola, arte é vida e vida é arte. Depois da escola, arte é arte e vida é vida. Ora bolas, por que crianças brasileiras, quando vão desenhar uma casinha com uma árvore, desenham um modelo de casa americana com uma macieira ao lado? Massificação, castração da criatividade. Não precisa pensar nem criar, precisa apenas obedecer. Afinal, quem precisa de gente criativa e pensante na sociedade? Precisam é de trabalhadores, nada mais.
Voltando ao assunto, se esses estudos - bem suspeitos - continuarem sendo veiculados pela mídia e talz, sem paranóia, fica muito fácil o moralismo das américas utilizar a pseudo-ciência e suas falácias contra grupos específicos de artistas ou ateus, uma vez que se comprova que esses são "moralmente flexíveis". Mas não citam o real motivo dessa flexibilidade: O PENSAMENTO. Pensar incomoda, que ninguém quer ser questionado. Muito menos o moralismo cristão.
Ah, e a propósito, continuem generalizando. Afinal, todo mundo que pensa é a mesma merda né. "Pessoas criativas".
UPDATE: 4 MAIO 2011
Eu não disse? EU NÃO DISSE?
Acima profetizei, abaixo a profecia se cumpre, vejam:
Essa nova reportagem "científica" prova que quem não possui religião ou não acredita em punição divina é trapaceiro. É exatamente isso.
Só faltou argumentarem que, como afirmou repetidamente o filósofo brasileiro José Luiz Datena: os ateus são estupradores e criminosos pois não possuem deus no coração.
Ao que parece, no seguinte site onde ele fornece as capas e todo o CD para download, não há referência ao fato de ele ter se baseado integralmente no Shostakovich para compor. Confiram as capas e o CD inteiro, para ouvir o resto. É música de primeira! Mas poxa, podia avisar aos desavisados que foi tipo uma construção sobre o Shostakovich, pra poderem ampliar o repertório auditivo, né? Lá vai:
"SpeedUp.exe" - um programinha simples que visa auxiliar na leitura de linhas suplementares das claves de sol e de fá. Basta extrair e abrir - não precisa instalar:
Escolha a modalidade (são três: 1 termos musicais 2 nome de nota 3 dedilhado) e o instrumento (vários disponíveis), depois é só clicar em BEGIN na barra à esquerda e curtir o jogo. Ele conta seu tempo e tem um ranking para os mais rápidos em ganhar cada fase do jogo.
Basta selecionar o nome da nota que aparece ao lado e clicar em NEXT CARD. Será contada automaticamente sua pontuação. Para zerar, clique em RESET SCORE. Para ver a "cola" das linhas e espaços, clique em ANSWER KEY. Pode também alternar entre claves de sol, fá e dó na terceira linha.
Eu sei, teclados virtuais não são lá muito musicais, MAS...
Se na emergência precisar de tirar o tom ou algo assim, vou listar algumas boas opções de teclados virtuais, todos no navegador, sem precisar baixar nem instalar nada:
Suite para Piano de Brinquedo. Compositor: John Cage. Intérprete: Steve Butters.
Being and Becoming, para piano de brinquedo e processamento ao vivo. Compositor e intérprete: Lou Bunk.
Agora pare de reclamar da vida e leve o SEU instrumento mais a sério e faça música, se necessário, com o fogão da sua vó.
Ah, tente ser menos generalista. Se Rimsky-Korsakov estivesse vivo, ele morderia a língua ao ler essa postagem, pois em seu manual de composição ele insistiu que não se pode escrever música pianística interessante dentro de duas oitavas...
Die Walküre. Você estudou canto lírico a vida toda e sempre quis se vingar da fonética da língua alemã, toda a percussividade e sequidão das consoantes, os sons guturais, etc? É sua chance, cantor[a]!
1- Coloque a seguinte frase no tradutor do google:
pv zk bschk pv zk pv bschk zk pv zk bschk pv zk pv bschk zk bschk pv bschk bschk
pv kkkkkkkkkk bschk
2- Coloque pra traduzir de alemão pra alemão
3- Clique em "ouvir"
PS: em Yiddish costuma ficar legal também
TÁ COM PREGUIÇA? Com 2 cliques, clique aqui e clique em ouvir: http://migre.me/2BBiW
GAMOU? QUER CRIAR OS SEUS? SEGUE O GUIA (alemão/alemão):
zk = suspended cymbal
bschk = snare
pv = brush
bk = bass
tk = flam1
vk = roll tap
kt = flam2
kttp = flam tap
krp = hi hat tap
pv = short roll
th = better hi hat
thp, ds = instant rimshot.
Por mim, esse seria o maior meme ever. Ficaria nos TT cult.
EXEMPLOS:
Música gospel? #BachIsNotAmused
Você curte restart? Bach is not amused.
Qual foi a última vez q vc foi a teatro? Bach is not amused.
Música ao vivo, quanto tempo faz q vc não vê? Bach is not amused.
Vamos lá. O YouTuber americano "SnubbyJ" fez um instrumento de PVC baseado em intruções do Google, pesquisando coisas tipo "PVC Instrument Instructions". O vídeo de sua apresentação num concurso de talentos tá bombando na internet, no youtube e em outros sites. Note-se que é um instrumento acústico. É como um vibrafone de cano, chamado apenas "PVC Instrument" (se eu fosse ele daria um nome e patenteava). Ele apenas sistematizou e tornou prática a idéia que ficou famosa pelo Blue Man Group, de usar canos de PVC para música afinada. Foto do instrumento:
A técnica é como a de percussão temperada comum, lembra também a bateria, porém faz uso de 'raquetes' para percutir o ar que há dentro dos canos. O timbre lembra o Didgeridoo devido ao ar que é percutido dentro dos canos. Equilíbrio perfeito entre melodia e percussividade. Quase 3 oitavas, A2-E4. O poder de sustentação é pequeno. Talvez o mesmo mecanismo aperfeiçoado fazendo uso de outros metais como madeira e papelão seria muito mais ressoante.
O menino recém-famoso terá uma longa jornada aperfeiçoando sua musicalidade, construindo frases, dominando seus acentos e pulsações, assim como se exibindo por aí. Falo por experiência própria, a gente cresce muito ao experimentar e dar a cara a tapa por novos sons e novos instrumentos.
Embora a moda "utilitarista" não seja recente, eu acho muito atual e importante usar elementos não-musicais para fazer música, a começar pelos materiais, como ele fez com os canos. Tem uma ferramenta (ou objeto sonoro?) que, pelo mesmo pensamento utilitarista e experimental, virou um instrumento melódico belíssimo há séculos, e me seduz loucamente. É o serrote musical, que consiste em passar arco de violino no lado sem dentes de um serrote comum: